A IMPORTÂNCIA DA LEITURA
A prática da leitura se faz presente em nossas vidas desde muito cedo, no instante em que começamos a “compreender” o mundo á nossa volta. No contato direto com um livro, ao tentarmos interpretar o sentido das coisas, ao percebermos o mundo sob diversas perspectivas ou mesmo ao relacionarmos a ficção com a nossa realidade, dessa forma, estamos a todo o momento lendo mesmo que indiretamente, pois muitas vezes não nos damos conta disso.
A atividade da leitura nos proporciona descobertas, aprendizagens, reflexão e prazer, nesse sentido, a leitura de um texto deve ser compreendida de fato, permitindo que o leitor apreenda o sentido do texto e que ultrapasse a decodificação alcançando um resultado satisfatório e consequentemente a formação do gosto literário. Logo, ler é um ato social e a instituição escolar tem um papel fundamental nesse processo, o de proporcionar o acesso a leitura, e aos mais diversos tipos de livros, não por simples obrigação ou por ser uma pequena parte de seu currículo, mas com a finalidade de formar o gosto, o prazer em ler e compartilhar, pois a leitura na escola deve ser uma prática social e não um simples conteúdo didático, sendo assim, deverá desenvolver leitores competentes e que lêem não somente para fins escolares, mas para auto-satisfação.
Dessa forma, na instituição escolar a formação do gosto pela leitura deve ser planejado, estudado e pensado pedagogicamente pelo professor, pois tem um papel fundamental, o de instigar a imaginação do futuro leitor, que assim terá melhores condições de atuar ativamente na sociedade em que vive, assim, o professor nesse núcleo é o principal mediador em despertar o prazer de ler do leitor, pois o gosto não nasce conosco é apreendido através da cultura, que muito influência nesse processo de construção do conhecimento literário.
Portanto, ler é essencial para o progresso do auto-conhecimnento, para o diálogo, para a troca de idéias, para ampliação da nossa percepção de mundo e para saber discernir e refletir sobre um texto, nesse sentido, a leitura é essencial para a formação crítica do cidadão.
* Este texto foi produzido por nós (estagiárias) com base nas leituras feitas para a realização do projeto de intervenção, e será entregue aos professores da escola a qual realizamos o estágio, no fim da palestra : "Técnicas de leitura e a importância da leitura para jovens e adultos", juntamente com o texto (abaixo) "A escola triste" de Míriam Santini e um CD, que trará textos sobre o tema leitura e obras literárias brasileiras, para que tenham em mãos material que servirá de suporte para a realização de um futuro projeto de leitura na escola do Clima bom.
A ESCOLA TRISTE
Míriam Santini de Abreu
Nos anos 70 e 80 chamava-se “primeiro grau” a progressão de primeira a oitava séries. O primeiro grau eu fiz na Escola Estadual Clemente Pinto, em Caxias do Sul. O prédio fica a uma quadra da casa de minha família. Entrei na primeira série com seis anos. Era baixa, magra, míope. Todas as minhas roupas eram doadas por vizinhos e familiares. Usava uniforme azul com listras brancas, Conga e, no inverno, um casaco com pêlos em volta das mangas e do colarinho, que eu detestava. Mas havia um lugar onde a minha sensação de carência e de estranheza em relação a tudo e a todos desaparecia. Era na biblioteca da escola.
Bastava subir a escada ao lado da sala do SOE, o Serviço de Orientação Educacional, e o mundo era meu. As mesas eram baixas e redondas, os banquinhos também. Os livros, catalogados, pareciam me espiar, me desejar, aquietados nas prateleiras ou abertos, repletos de delícias, sobre as mesas. Não havia dia nem hora para retirá-los. A biblioteca me acolhia, me aquietava. E lá, fora, no pátio, havia concreto, mas também árvores, cantos misteriosos, reservados somente ao zelador. E lembrei-me da Clemente Pinto quando conheci a escola da Barra do Sambaqui, em Florianópolis. É tanta feiúra e decadência que só pude pensar em uma definição: a Escola Triste.
A entrada: paredes de tijolos mal-pintados de branco, com uma grade de ferro. Parece uma grande cela. O mofo está todos os cantos, principalmente onde as crianças fazem as refeições. O pátio para as brincadeiras é minúsculo, coberto de brita, sob encomenda para deixar a pele ralada ao menor tombo. Nas salas de aula – são duas - há aquelas horríveis janelas basculantes, que deixam o mundo lá fora fatiado em retângulos. A escola toda parece uma gambiarra, algo juntado às pressas, sem graça nem beleza. Mas, nessa escola triste, o que há de pior é a biblioteca. As goteiras já causaram curto-circuito, e por isso não é seguro usar os computadores que seriam utilizados no aprendizado. Os livros – poucos – ficam apinhados em umas poucas estantes, a gritar a inutilidade dos discursos vazios sobre “qualidade de ensino”, “internet na sala de aula” e outras máximas que mascaram a precariedade cada vez maior do ensino público. Bonitas, ali, só aquelas crianças e aquelas professoras que, há quase um ano, esperam a reforma prometida.
O que os meninos e meninas aprendem, desde cedo, é que, num mundo de ricos e pobres, com suas escolas de ricos e pobres, o lugar que lhes cabe é aquele. Na Clemente Pinto, era na biblioteca que a minha pobreza se apagava. Na Escola Triste, nas salas cheias de bolor, sem mistérios nem magias, nada há para dar, às crianças, o gosto açucarado de uma promessa, de uma possibilidade. O gosto de um mundo onde os desejos possam ser compartilhados.
Site consultado. http://pobresenojentas.blogspot.com.br/2008/07/escola-triste.html Acesso em 20 de novembro de 2012.